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| Guache (22x16 cm) |
poesias
Meus amigos sabem que não gosto de poesia, linguagem metida a besta, com sua finesse cheia de regras, da qual costuma derivar uma expressão rígida, fria e abstrata. Poeta raramente diz alguma coisa. Lucubra a maior parte das vezes. (Mas, e o pintor? Por que seria melhor a sua nódoa abstrata? – pergunta meu outro ego.) Poeta adora sínteses e sonoridades. Diz alma com a amada amalgamada, por exemplo, e pensa ter dito alguma coisa. Não me refiro à poesia do nosso tempo, mas de todos os tempos.
Amo somente a poesia absoluta.
Inalcançável para humanos comuns. A minha é fruta-pão do esforço e do tempo. Ser poeta para mim nunca foi uma escolha. Como disse acima, não me orgulho disso minimamente. Minhas poesias nascem da necessidade de dar forma a conteúdos que vêm de dentro ou de fora (neste último caso, pelos olhos), que me convocam, afogam e alucinam. Preciso realizá-las para o meu bem – não o delas. Passaria bem sem elas.
Em outras palavras sou muito romântico.
Posto aqui um livro e poemas recentes que configurarão um futuro livro.
“Uma Coisa Só” foi publicado talvez em 2005, numa bela edição de três exemplares. Está esgotado. Nem eu possuo o meu. Mas aqui ele está postado tal como foi criado, com diagramação da minha querida Tatiana Barossi Tatit. Custou-me vinte e sete anos de trabalho, desde 1977 – talvez a razão de ter sido ilustrado com fotos de urubus.
Para nosso entendimento, chamo o futuro livro de “ainda avulsas”. Espero não contar em décadas o seu tempo de sua gestação.
